Rogério Ceni

Há quem acredite que a história de Ceni no São Paulo o credenciava a comandar a equipe, sendo sua demissão injusta e precoce. Outros acham que o técnico saiu na hora certa e os resultados justificam o afastamento. Vamos aos fatos.

Tudo começou quando Rogério apresentou uma proposta para Leco, candidato a presidência do São Paulo na época, mostrando seu interesse em liderar a equipe do Morumbi.

Com a promessa de transformar em grande treinador, um dos maiores ícones da história do Clube, Leco foi eleito e Ceni passou a comandar a equipe tricolor, a partir do dia 8 de dezembro de 2016. De cara já chamou dois estrangeiros, um francês e um inglês, que fariam parte da comissão técnica. Pouco tempo depois, veio a conquista do Torneio da Flórida. Parecia o início de um sonho, uma nova era no São Paulo. Só que não.

Depois da venda de jogadores importantes, como Luiz Araújo, chamaram outros, como Lucas Pratto. Ao todo, foram 21 jogadores vendidos e 15 contratados. Sem uma proposta clara de jogo e com elenco instável, a equipe não progrediu.

Rogério Ceni dispensado do São Paulo
Rogério Ceni não conseguiu ter o mesmo sucesso como treinador, que teve enquanto goleiro

Ceni dispensado sete meses e três eliminações depois

Cerca de sete meses depois de assumir o comando técnico do Tricolor e após três eliminações (estadual paulista, Copa do Brasil e Copa Sudamericana), Ceni foi dispensado. Com uma nota de poucas linhas publicada no site, o São Paulo anunciou a demissão do técnico, que saiu deixando a equipe na zona de rebaixamento do Brasileiro, único campeonato que disputa. Como treinador, foram 35 jogos, com 14 vitórias, 11 empates e 10 derrotas. Um aproveitamento médio de 50%.

Sem experiência como treinador, o único curso que fez na Europa não foi suficiente para Ceni. Mesmo liderando o São Paulo dentro de campo, por muitos anos, a responsabilidade de armar um time exige um conhecimento específico. Até Zidane, antes de decidir virar técnico, treinou o time B do Real Madrid, para só depois comandar a equipe principal.

Um fator político também contribuiu para a saída de Ceni. Considerado um importante cabo eleitoral para Leco, foi dispensado pelo próprio. A exigente diretoria, que é a mesma há nove anos e ganhou apenas uma sul-americana em 2012, foi a responsável pelo afastamento de Rogério, considerando o pífio resultado do treinador.

Um novato na função e uma diretoria mais preocupada em vender jogadores do que em comprar, culminou na demissão do jogador que mais vestiu a camisa de um mesmo clube na história. A responsabilidade passa a ser de Dorival Junior, nome mais cotado para assumir o posto de Ceni, que não convenceu como treinador.

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