Fonte: RTP

Ao contrário do que acontece com o “vizinho” insular – as equipas madeirenses são presença constante na Primeira Liga -, os açorianos não estão habituados a conviver com a elite do futebol português. Para sermos mais exatos, apenas um clube da região (o Santa Clara) já disputou o campeonato principal e fê-lo apenas em três ocasiões. Esta será, portanto, a quarta vez que o emblema de Ponta Delgada vai privar com os grandes de Portugal. E foi preciso esperar 15 anos para o sonho voltar a concretizar-se.

Nascido em 1922 com o nome Santa Clara Foot-ball Club, mas oficializado apenas cinco anos mais tarde, o Clube Desportivo Santa Clara chegou pela primeira aos Campeonatos Nacionais em 1979/80, e desde então foi sempre a subir até conseguir, finalmente, o grande objetivo de subir à Primeira Liga. Estávamos em 1999/2000. Manuel Fernandes, antiga glória do Sporting, era o treinador de uma equipa cheia de vontade de mostrar o valor dos açorianos, mas a estreia no escalão principal não correu bem. Último lugar e nova descida à Segunda Liga.

O Santa Clara não desistiu e, na época seguinte, estava de novo entre os grandes. O início de temporada não estava a ser famoso e Manuel Fernandes foi mais uma vez chamado, agora para substituir Carlos Manuel, outro antigo internacional português. A equipa melhorou e conseguiu mesmo manter-se na Primeira Liga. A despromoção, no entanto, acabaria mesmo por chegar na época seguinte. Desde então, passaram-se 15 anos até o Santa Clara voltar a dar forma ao sonho, no passado domingo, com uma vitória por 3-0 frente ao Real, que garantiu o regresso à Liga principal.

Com um plantel muito experiente, nomeadamente no setor defensivo – um dos pontos fortes da equipa -, o Santa Clara embalou principalmente na segunda metade do campeonato para uma subida bastante ansiada pelos açorianos e que premeia também o trabalho de Carlos Pinto, um técnico, no entanto, alvo de queixas por parte de alguns clubes adversários por só possuir o nível 2 quando é exigido um grau acima para treinar na Segunda Liga.

Texto: José Manuel Paulino

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