Farense
Fonte: Sul Informação

Mais a Centro/Sul do país, a fase regular do Campeonato de Portugal de Seniores foi igualmente muito competitiva e com várias pontos de interesse. Senão vejamos…

SÉRIE D

CD Mafra
Fonte: Jorge Marques Photography/CD Mafra

Composta por equipas da região Centro Sul e Ilhas, desde cedo se percebeu que Mafra e Vilafranquense se destacavam em relação ao restante das equipas, com os dois primeiros lugares da tabela a pertencerem a estas formações.

Começando pelo líder Mafra, conseguiu vencer esta fase regular através de uma equipa jovem, a começar pelo treinador Luís Freire, estreante no Campeonato de Portugal, tendo subido a pulso desde as divisões mais baixas da distrital de Lisboa e conseguindo o feito de em cinco anos de carreira como técnico principal ter atingido quatro subidas de divisão (!), as primeiras duas ao serviço do Ericeirense e as duas últimas, de forma consecutiva, pela formação do Pêro Pinheiro. Apesar da curta carreira até ao momento, a possibilidade de alcançar uma quinta subida de divisão, aos 32 anos, confere algo de especial a este jovem técnico.

Olhando para o plantel, sem nomes sonantes e com a curiosidade de apenas dois jogadores ultrapassarem a barreira dos 30 anos, o grande destaque vai para o avançado Bruninho que com 16 golos no campeonato ajudou a equipa a acabar esta fase regular como melhor ataque da prova, com 61 tentos apontados.

A equipa do Mafra termina esta fase da competição no primeiro posto com seis pontos de vantagem sobre o Vilafranquense, tendo atingido essa posição à passagem da 18.ª jornada e nunca mais a largando desde então. Já contando com uma participação no segundo escalão do futebol português, os mafrenses contam regressar já na próxima época a esse campeonato.

Quanto ao Vilafranquense, clube que não tem no historial nenhuma participação na segunda liga do nosso futebol, procura esse objetivo fruto de ter ficado entre os três melhores segundos classificados das séries pertencentes a esta fase regular. Depois de ter atravessado anos muito complicados, assolados por uma enorme crise financeira, a equipa ribatejana contou com a ajuda da constituição de uma SAD, através da entrada da Eurofoot como principal investidor. A Eurofoot, empresa de agenciamento de jogadores, tem permitido ao Vilafranquense um investimento cada vez maior na sua equipa de futebol nas últimas épocas, o que já lhe permitiu alcançar várias subidas de divisão até atingir o Campeonato de Portugal e outros feitos, tais como eliminar o primo-divisionário Paços de Ferreira na Taça de Portugal, prova onde também já defrontou o Sporting há duas temporadas.

Ao contrário do líder Mafra, o Vilafranquense conta já com vários nomes experientes nos principais palcos do futebol português, casos dos avançados Rui Varela e Luís Pinto ou do defesa Pedro Correia. Contudo, entre esses nomes, o caso mais mediático é de um filho da terra, o guarda redes Carlos Fernandes, que inclui passagens por clubes da primeira liga do futebol português, exemplo do Boavista, mas sobretudo com uma passagem pela Roménia que lhe valeu a presença na Liga dos Campeões, para além da conquista do campeonato do país. Por tudo isso, e apesar dos 38 anos de idade, este regresso do guardião ao seu clube de formação veio a revelar-se uma enorme mais valia e com certeza muito contribui para o facto de o clube ribatejano acabar a Série D como melhor defesa da prova, com apenas 20 golos sofridos.

Os ribatejanos contam também, naturalmente, com juventude no seu plantel, sendo muitos desses jovens oriundos da formação de clubes grandes em Portugal e trazendo já uma bagagem importante para aquilo que são os seus primeiros passos no futebol sénior. A grande estrela da equipa tem o nome de Luquinhas, com passagem já pela equipa B do Benfica e que se tem revelado como uma peça chave neste percurso da equipa.
Por último, mas não menos importante, mencionar o treinador Vasco Matos, que para além da experiência que traz enquanto jogador com currículo no futebol português, tem também com a vantagem de ter terminado a carreira de futebolista e iniciado a sua como técnico no clube ribatejano, o que lhe traz ainda maior conhecimento sobre a realidade onde se encontra.

Para terminar, referir apenas as equipas despromovidas, sendo elas o Pêro Pinheiro, Coruchense, Lusitânia dos Açores, Alcanenense, Eléctrico e Guadalupe.

SÉRIE E

Clube Oriental de Lisboa

Composta maioritariamente por equipas da região mais Sul do país, a série E marcou um domínio avassalador do início ao fim de um histórico: o Farense.

O clube algarvio que tem no currículo várias presenças na primeira e segunda liga e que esteve na época passada muito perto da subida, não se deixou afetar com o falhanço desse objetivo e voltou ainda mais forte, sendo certamente um dos mais sérios candidatos a regressar ao segundo escalão do nosso futebol.

Movida por uma massa adepta apaixonada e repleta de jogadores muito interessantes, a equipa do Farense “passeou” por esta fase regular e bateu todos os recordes, desde melhor ataque, melhor defesa, mais vitórias e menos derrotas. Todos estes números permitiram chegar aos 81 pontos na prova e atingir uns impressionantes 17 pontos de vantagem sobre o segundo classificado Oriental, que não conseguiu acesso ao play off por não ter conseguido colocar-se entre os três melhores segundos classificados no total das séries.

A formação do Farense fez valer toda a sua experiência neste campeonato, capitaneada por nomes com passado forte no futebol português, como são os casos de Neca e Jorge Ribeiro. O bom futebol praticado pela equipa liderada por Rui Duarte, outro nome com passado respeitável enquanto jogador, aliado aos resultados que não deixam margem para dúvidas, tem voltado a acender a alma do velhinho São Luís, estádio com muita história em Portugal e habituado a grandes noites de primeira Liga que tardam em regressar. Não só em casa se nota a força da massa adepta do clube algarvio, que também arrasta multidões nos jogos fora, e que para além de estar satisfeita pelo campeonato realizado também tem de estar orgulhosa pela participação da equipa na prova rainha, a Taça de Portugal, que levou o clube até aos Quartos de Final, onde apenas caiu perante outra das sensações da prova, o Caldas.

O objetivo imediato do Farense é atingir a subida à segunda liga, mas a ambição algarvia não se fica por aí, com os dirigentes a assumirem um projeto que seja capaz de levar em poucos anos a equipa de regresso à primeira liga do nosso futebol e junto do convívio dos grandes, onde já não milita há mais de uma década. Dando um passo de cada vez, parece que as coisas vão bem encaminhadas para o clube oriundo de Faro.

Pelo lado oposto, enquanto despromovidos à distrital, temos o Estrela de Vendas Novas, o Operário Lagoa, o Almacilense, o Castrense, o Lusitano VRSA e o Moncarapachense.

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Tomás Brázia
Tenho 22 anos, sou Licenciado em Ciências da Comunicação e desde cedo que me interessei por futebol. Comecei a acompanhar a modalidade por influência do meu avô, que me levava ao estádio, e a partir dessa altura sempre segui atentamente, tanto o futebol nacional como internacional. Tenho várias equipas referência, que influenciaram a minha visão do jogo ao longo do tempo, sendo a primeira de todas o Arsenal de 2004, que ficou conhecida como “Os Invencíveis”. Contudo, aquela que mais me marcou pessoalmente foi a geração Tiki Taka, que brilhou tanto no Barcelona como na Seleção Espanhola. Na minha opinião, o segredo para o futebol ser uma modalidade tão apaixonante passa pela sua simplicidade nas regras, o que o torna num jogo tão emotivo e imprevisível, sendo talvez aquele onde há espaço a maiores surpresas e onde é mais possível combater a desigualdade de forças entre duas equipas. A escrita é a forma em que me sinto mais confortável para discutir e analisar futebol, que para além dos fatores anteriores que apontei, também é a modalidade que suscita maior pluralidade de opiniões, o que acaba por enriquecer o debate em torno do jogo.