Andrés Iniesta tinha apenas 12 anos quando vestiu a camisola do Barcelona pela primeira vez. Há quinze épocas passou para a equipa principal. A partir daí foi sempre a subir e por isso mesmo é considerado um dos mais experientes futebolistas da atualidade.

Hoje anunciou que a caminhada pelo clube catalão chegou ao fim. “Quero tornar pública a decisão de que esta é a minha última temporada aqui. É uma decisão muito meditada, muito pensada, a nível interno, comigo mesmo, com a minha família. Portanto, sendo honesto comigo mesmo e com este clube, que me deu tudo, entendo que a minha etapa acaba este ano. Porque este clube merece o melhor de mim, como fiz até agora. Entendo que no futuro mais próximo não podia dar o melhor de mim, a nível físico e mental. Tinha pensado acabar assim, sentindo-me útil, importante, titular, com a ambição de ganhar títulos, com as sensações positivas que tive durante todo este ano“, foi assim e por entre lágrimas que anunciou a saída.

Depois de 22 anos ao serviço do Barcelona, a lenda viva diz adeus ao clube do coração. Foram mais de duas décadas a vestir a camisola do clube catalão. No bolso leva várias mãos bem cheias de títulos: oito campeonatos espanhóis, cinco taças da Copa do Rei, três Supertaças Europeias, três campeonatos do mundo de clubes e quatro Ligas dos Campeões são alguns deles. Na seleção espanhola a história repete-se: marcou o golo que deu o título mundial à seleção em 2010 e foi ainda uma peça indispensável nos Europeus de 2008 e 2012.

Futuro (in)certo

E agora? Quem vai “apanhar” Iniesta? É uma incógnita. O jogador não adianta clubes, mas refere quer jogar fora da Europa. Um dos cenários mais prováveis e falados é o mercado chinês, em que o Chongqing Lifan do treinador português Paulo Bento pode ser uma opção.

Mas, 22 anos e tantos títulos depois, será que Iniesta recebeu o reconhecimento merecido? Talvez não. E é isso mesmo que tem sido tão falado esta semana. Vários colegas do internacional espanhol vieram já mostrar o desagrado por Iniesta não ter sido valorizado como devia ao longo da carreira.

Sergio Ramos foi um deles. O colega de equipa de Iniesta criticou a falta de Bolas de Ouro do parceiro. “Se Iniesta se chamasse Andrezinho já tinha duas Bolas de Ouro. Custa dar reconhecimento aos espanhóis. Se calhar somos um pouco culpados disso. Temos contado com jogadores fantásticos ao longo dos tempos e o Andrés devia ter uma Bola de Ouro como Figo ou Cannavaro.

Até a France Football já pediu desculpas a Iniesta por nunca lhe ter atribuído uma Bola de Ouro. Mais vale tarde do que nunca, ou são apenas desculpas de mau pagador? “É o melhor facilitador de jogo de todos os tempos. A maior parte dos seus contemporâneos complica o jogo, mas Iniesta divertiu-se durante 15 anos, simplificando tudo. Sem qualquer pensamento de vaidade, só o de viver o jogo. O seu talento é inventar para os outros. Sem ele, Messi ter-se-ia cansado muito mais rapidamente do Barcelona“, pode ler-se num editorial.

O pináculo das injustiças

Estávamos em 2010 e Iniesta tinha conquistado quatro troféus para o Barcelona e o Mundial para a Espanha. Vendo o cenário já muitos esperavam a subida do médio espanhol ao pódio, mas tal acabou por não acontecer. Se a memória não lhe falha deve então saber que o prémio foi então atribuído a Messi. Andrés ficou em segundo lugar à frente de Xavi. Dois anos depois ficou em terceiro, depois de Messi e Cristiano Ronaldo.

Mas isto do futebol nem sempre funciona como os adeptos querem e Iniesta não foi o primeiro injustiçado e provavelmente não vai ser o último. A ele juntam-se Pelé, Maradona, Xavi, Ribèry e até Paulo Futre e Deco.

A sorte é que o desporto rei não é só feito de Bolas de Ouro e mesmo sem nenhuma, Andrés Iniesta vai ser sempre lembrado como uma lenda do futebol.

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