Se prestarmos atenção, a maioria dos clubes brasileiros não têm mais ídolos em campo. Existem os atletas que se identificam com a torcida, mas aquela história de beijar o símbolo da camisa tem virado, digamos, superficial. Pare para pensar, quem foi o último ídolo do seu time?

Ver jogadores durarem mais do que duas temporadas, sendo generosa ainda, é um pouco de luxo das equipes. A rotatividade no meio do futebol brasileiro é intensa. A exemplo são algumas mudanças que ocorrem quando os campeonatos estaduais encerram, os destaques de times menores já não ficam mais e os que não renderam nas grandes equipes servem como moeda de troca.

Não que isso seja errado, até porque ninguém quer no time um atleta que não seja útil; também os próprios jogadores querem crescer e aproveitam as oportunidades. Mas é um pouco triste pensarmos que o número de ídolos, atletas símbolos dos clubes, têm desaparecido.

Aqueles que fazem gols históricos, carregam conquistas, realizam grandes partidas, se doam mais do que os demais, não por quererem apenas jogar bem, mas por terem uma real identidade com o time, esses vão ser lembrados na memória do torcedor sempre.

São momentos que fizeram despertar no torcedor uma alegria e paixão que nunca serão apagados e vão ser passados de geração em geração. A pena vai ser quando gerações futuras olharem para dentro do campo e enxergarem apenas jogadores passageiros.

Futebol é comércio, virou dinheiro e muito atletas não seguem mais a linha do amor à camisa. E vai ficando a saudade daquele sentimento de ver um jogador que carrega anos junto a equipe, que realmente quando beija o símbolo, faz por amor e identificação. Então, até quando teremos ídolos em campo?

 

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Carolina Corazza

Jornalista formada, nasci no meio do esporte, pra ser mais exata, do futebol. Filha de ex-jogador, desde que me conheço por gente este é o assunto mais falado lá em casa. Encontrei no jornalismo a paixão pela comunicação e a oportunidade de escrever sobre algo que vai além de um simples esporte, o futebol. Trabalhei na Band FM, tive uma passagem pele TV Record, além de ter uma coluna esportiva em um site de Florianópolis. Produzi um documentário sobre o, até o momento, maior artilheiro do estádio da Ressacada, Décio Antônio. Sou feliz em escrever sobre futebol e espero que vocês sejam lendo este espaço!