O Campeonato Brasileiro da Série B esse ano, exibe um fenômeno. Cláudio Tencati, 43 anos, é o técnico há mais tempo no cargo de um mesmo clube do Brasil. São seis anos e praticamente sete temporadas no Londrina, algo raro para os padrões de futebol.

Quando Tencati assumiu, o Londrina era um time à beira do abismo e do esquecimento, nem de longe parecia ser o “Tubarão” que nos anos 70 e inicio dos anos 90 vivia seus tempos de glória.

Ele chegou ao Estádio do Café em abril de 2011, desde então, acumulou excelentes resultados. De cara o acesso no Campeonato Estadual. Em 2013, campeão do Interior. No ano seguinte, campeão estadual em cima do Maringá, uma final épica no chamado “Clássico do café” saindo de uma fila de 21 anos sem titulo estadual.

Para Tencati, o resultado é um dos pontos mais importantes para conseguir continuar por tanto tempo a frente do time. Além disso, o treinador indica outros fatores, como a liderança de equipe, a fé e o planejamento como determinantes para a longevidade no cargo. Por fim, o técnico aponta a confiança da diretoria como fundamental. “Para ter essa confiança e sequência é necessário o resultado. Isso vai dar credibilidade ao trabalho. Ao mesmo tempo, é preciso ter fé, ter organização, ter o planejamento ao seu lado. É também não fugir do que acredita. Não é porque deu algo errado aqui ou ali que você tem que mudar a opinião e o que precisa ser feito”. Enfatiza o treinador.

No ano passado, faltaram três pontos para o Londrina voltar à elite nacional. Diante desse principal desafio, Tencati prova que nem tudo é um conto de fadas nessa longa caminhada.

Qual era o projeto principal e qual o resultado que esperava alcançar?

– A primeira: o acesso do Campeonato Paranaense. A segunda: conquistar vaga na Série D e entrar no circuito nacional. Revelar jogadores para vender é meta permanente, seja qual for o resultado. Exemplo: o Londrina não entrou na Série D no meu primeiro ano, mas vendeu jogadores, como o lateral-direito Airton, para o Coritiba. Depois, o Wendell e o Lucas Ramon, para o Grêmio. A meta de longo prazo era chegar à Série B em 2016, mas a alcançamos bem antes.

E qual o melhor e o pior momento nestes sete anos?

– O melhor futebol, mais bem jogado, organizado, bonito, foi o da final de 2013 com o Coritiba. Perdemos, mas na seleção estadual emplacamos sete jogadores. O time saía de trás tocando. Exibia alternativas por dentro e pelos lados. A posse de bola era criativa. Nossa média era de três gols por jogo. Como resultado, claro, o título de 2014. O Londrina não era campeão desde 1992. O pior foi na campanha do título, quando beiramos o rebaixamento antes de decolar.

Tencati possui uma filosofia moderna de enxergar o futebol. “Tem que manter a posse de bola, sempre pensando em atacar”. Pensamento levado ao vestiário e as beiradas do campo, porém na Série D, por conta da situação dos gramados, o técnico do LEC teve de abrir mão dessa ideia. “Os gramados são péssimos, foi ai que apostei em um time mais cascudo, de choque e bola longa. mas a partir da Série B, voltei ao que gosto. Os estádios e gramados são bem melhores”.

Sua formação vitoriosa que credenciou o Londrina hoje a brigar por títulos e almejar a Série A é o 4-1-4-1, organizando sempre um volante, dois meias e três atacantes, sendo dois de beirada e um mais avançado. “Se pudesse escolher, um plano tático ideal, ficaria com o do Barcelona. Não este, do Luiz Enrique, mas o do Guardiola. Ali foi revolução. Claro que ele tinha jogadores sensacionais, mas era um time que atacava com talento e se defendia exemplarmente. Gosto do futebol alemão atual e do inglês, pela intensidade. E, claro, o que o Tite agregou à Seleção. Mas, tenho como inspiração, o Barça de Guardiola”, diz Tencati.

O Londrina vai subir em 2017?

– Estamos mais maduros. No ano passado, deu na trave. Mantivemos a base, mas lutamos contra o orçamento baixo. A folha de 2016 era R$ 400 mil. Este ano, subiu para R$ 500 mil, com o patrocínio da Caixa Federal. Investimento nós temos e time competitivo também.

E o futuro pessoal? Pensa em voos mais altos?

– Não tenho contrato. É tudo verbal, pela relação com o gestor do time. A figura dele, aliás, foi essencial para eu ficar tanto tempo. Ele foi pressionado para me substituir nas horas ruins. Nossa relação de confiança é total. Se surgir uma proposta boa da Série A, o combinado é ele me liberar. Mas tem de ser boa, que seja um voo mais alto. Do contrário, fico. O Coritiba me procurou duas vezes, mas sem garantias mínimas. Nem mesmo contrato de um ano. Se eu perdesse ou empatasse meia dúzia de jogos, seria demitido.
Este ano, o Londrina espera alcançar o tão sonhado acesso a elite do futebol brasileiro. A missão disso tudo, é de Cláudio Tencati o técnico mais longevo do futebol brasileiro.

Comentários