Cristiano Ronaldo ruma à Juventus
Fonte: Notícias ao Minuto

A transferência de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus tem tudo para marcar mais uma época da história do futebol.

À excepção do Sporting, onde jogou somente uma época e saiu com apenas 18 anos, em todas as outras equipas que representou, fez história. Mas, mais do que os registos individuais e colectivos que alcançou ou ajudou a alcançar, é de salientar o paradigma que criou no Manchester United e no Real Madrid. Existe claramente um antes e um pós-Ronaldo. Cristiano Ronaldo revolucionou os clubes em que jogou, os respectivos campeonatos e fez das suas equipas candidatas à Liga dos Campeões.

Da hegemonia europeia do Manchester United à felicidade de ganhar a Liga Europa

Cristiano Ronaldo ingressa no Manchester United na temporada de 2003/2004. De 2003/2004 a 2005/2006, atuava preferencialmente como extremo, tendo como principal função fazer dribles desconcertantes e contribuir através de assistências e criação de jogadas para golos da própria equipa.

Cristiano já era dos melhores do Mundo, como Hazard ou Mbappé também o são hoje, por exemplo, mas ninguém se atrevia a compará-lo com Ronaldinho Gaúcho.

De 2003/2004 a 2005/2006, o Manchester United venceu nove jogos, empatou seis e perdeu sete na liga dos Campeões.

A partir de 2006/2007, tudo começa a ser diferente: Cristiano Ronaldo começa a assumir-se como goleador e a criar registos de pura ficção.

O Manchester United era uma equipa com uma defesa fortíssima (Van der Sar, Vidic, Ferdinand, Evra) e um tridente atacante de luxo (Ronaldo, Tévez e Rooney). Contudo, o seu meio-campo estava longe de ser dos melhores da Europa: Michael Carrick era um jogador regular e Scholes em 2007 tinha já 33 anos e, se em técnica era dos melhores do mundo, faltava-lhe intensidade para os duelos titânicos a meio-campo.

Neste contexto, Cristiano Ronaldo foi preponderante para o Manchester conseguir vencer uma Liga dos Campeões, ir a duas finais e três meias finais em três anos.

Na final de 2008/2009, o Barcelona de Guardiola dá um “banho de bola” ao Manchester United. Os dias de Ronaldo no Manchester United estavam a chegar ao fim. Cristiano precisava de uma equipa com um meio-campo mais forte para tentar vencer a Liga dos Campeões.

Nos nove anos pós-Ronaldo, o clube inglês chega apenas a uma final e três quartos de final. Vence uma Liga Europa e celebra como se fosse um clube órfão de títulos europeus. A saída de Cristiano Ronaldo marcou o fim de uma era de um clube que, até hoje, ainda não se reergueu.

Do pior período europeu de sempre à melhor hegemonia europeia na Liga dos Campeões

Cristiano Ronaldo venceu quatro Ligas dos Campeões ao serviço do Real Madrid
Fonte: Diario AS

Cristiano Ronaldo ruma ao Real Madrid em 2009. Chega ao clube mais titulado do Mundo, mas nem por isso está inserido numa equipa “top”, candidata a vencer a Liga dos Campeões.

O Real Madrid vinha de cinco épocas seguidas sem passar os oitavos de final da “Champions”, vivendo o período mais negro da sua história europeia e precisava claramente de um impulso para ganhar a tão desejada “décima”.

No primeiro ano, é eliminado pelo surpreendente Lyon e, nos jogos caseiros com o Barcelona, passa o tempo todo atrás da bola, num claro sinal de inferioridade.

Ao longo dos anos, o Real Madrid – primeiro com Mourinho e essencialmente com Zidane – vai-se tornando uma equipa mais equilibrada defensivamente e versátil no ataque, sabendo como nenhuma equipa pautar os ritmos do jogo.

No último terço, Cristiano Ronaldo vai sendo cada vez mais decisivo, quer em golos, quer em assistências, tornando-se o jogador com mais golos e mais passes para golo da história de toda a Liga dos Campeões.

O Real Madrid ganha quatro Ligas dos Campeões em cinco anos, passando do pior período europeu de sempre antes da chegada de Ronaldo à maior hegemonia do futebol europeu (desde que foi criada a Liga dos Campeões). Existe claramente um impacto significativo da chegada de Cristiano Ronaldo.

Do desrespeito de Madrid ao desafio europeu da Juventus

Mesmo depois de todo o seu contributo para todos os sucessos merengues, Cristiano Ronaldo nunca foi devidamente respeitado pelo seu clube.

Os recordes históricos não eram condição suficiente para deixar de ser assobiado no Santiago Bernabéu. A nível pessoal, nunca foi acarinhado nem protegido, numa clara diferença perante o seu eterno rival Lionel Messi. Por isso, após mais um início de época intermitente de Cristiano Ronaldo, o Real Madrid pensou que estava a chegar o fim da linha.

Porém, a história voltou a repetir-se. Cristiano Ronaldo marca seis golos no conjunto das eliminatórias com PSG e Juventus e é peça fulcral no apuramento para as meias finais dum conjunto merengue cada vez menos dominador e com alguns graves erros defensivos.

Antes de chegar à reta final, lesiona-se e, com isso, o seu rendimento nas meias-finais e final é claramente prejudicado.

No Campeonato do Mundo, numa equipa como Portugal, sem mais nenhum jogador de topo mundial, consegue fazer três golos à Espanha e provar, mais uma vez, que está longe o seu declínio.

Face ao clima hostil que estava a viver em Madrid, a Juventus aproveita e contrata o craque português, num claro ataque à Liga dos Campeões.

Sem Cristiano Ronaldo, o Real Madrid perderá a influência de todas as suas finalizações e assistências nos últimos 25 metros, fulcrais nos últimos 9 anos. Numa equipa em que a defesa e o meio-campo estão em queda de rendimento, será uma utopia, com um treinador como Lopetegui, vislumbrar uma época europeia de sucesso na próxima temporada.

No momento presente, a Juventus é uma equipa consistente, com um bom modelo de jogo, mas à qual tem faltado melhor definição no último terço para, finalmente, erguer a “orelhuda”. Contratando o melhor finalizador do Mundo, a Juventus poderá assumir-se como a principal candidata a conquistar a Liga dos Campeões.

E, para escrever mais um capítulo na história do futebol, está lá Cristiano Ronaldo. Se é o melhor jogador de todos os tempos ou não, isso é uma discussão para outros tópicos, mas, indubitavelmente, Cristiano Ronaldo é o jogador mais revolucionador da história do futebol. Existe sempre um “antes” da chegada de Cristiano Ronaldo e um “depois” da sua partida.

O Real Madrid tem como aviso a queda do Manchester United. A Juventus tem a esperança do crescimento desses clubes a nível europeu.

O bom é que esta nova odisseia está prestes a começar. Aguardemos com a expetativa de, mais uma vez, vermos história e recordes serem batidos diante dos nossos olhos.

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