o caos do calendário brasileiro

Estão para terminar os campeonatos nacionais. Enquanto algumas torcidas fazem festa, outras estão de luto. De luto também estarão boa parte dos amantes do futebol. Explico: com o fim da temporada, tem início aquele período em que o marasmo sem o futebol toma conta de suas vidas. Época em que os noticiários esportivos são dominados por especulações sem sentido e polêmicas desmedidas.

Não bastasse tudo isso, é hora de pensar nos campeonatos estaduais. O que vem a seguir são quatro meses e dezenas de jogos inúteis para decidir títulos sem importância. E assim, meio sem importância, na semana seguinte, começa o Brasileirão, o campeonato mais importante do país, sem o prestígio que ele merece.

Infelizmente, o torcedor brasileiro nunca teve a oportunidade de viver a expectativa do começo de campeonato que existe nas grandes ligas europeias.

É um momento mágico, quando o otimismo corre solto e é permitido sonhar alto. O primeiro jogo do campeonato também é um espetáculo. O estádio enche, com torcedores desesperados para ver seu time, para ver uma partida de futebol, depois de dois meses de abstinência.

No Brasil, temos apenas seis dias de descanso. Menos de uma semana. Não há expectativa nenhuma para a primeira rodada – é apenas mais um jogo. E mais um exemplo do calendário perverso do futebol brasileiro.

E mais, em 2017, temos a reta final das Eliminatórias para a Copa do Mundo na Rússia, e o Brasileirão, claro, não para. O campeonato brasileiro tem tanto potencial, mas é um potencial que sempre foi desperdiçado.

Não digo que os estaduais têm que acabar, pois fazem parte da tradição do futebol brasileiro. Mas do jeito que estão, não podem ficar. Saturam o calendário, e seus benefícios são minúsculos quando comparados com seus pontos negativos.

A solução talvez seja campeonatos regionais. No Nordeste, a Copa do Nordeste, um campeonato mais enxuto e mais competitivo, já é considerada mais importante do que qualquer campeonato estadual.

Agora, pensem se tivéssemos quatro campeonatos regionais. A Copa do Nordeste, a Copa Verde, o Sul-Minas e um Rio-São Paulo. Os campeonatos estaduais, sem a participação dos grandes, serviriam como eliminatórias para esses regionais.

Daí, poderíamos ter uma pré-temporada emocionante, interessante, e que respeita a tradição do futebol brasileiro. E poderia terminar no final de março, o que daria pelo menos um mês para os clubes planejarem e os torcedores sonharem. E aí Coronel Nunes, o que o senhor acha? Não dá? E você, Marco Polo Del Nero? Não seria uma boa ideia? Não? Ah, tá.

Comentários