Chegou ao fim a fase de grupos da CONMEBOL Libertadores Bridgestone 2017. De oito brasileiros participantes da competição, seis passaram de fase. Ficaram pelo caminho a Chapecoense (perda de pontos por escalação irregular) e o Flamengo. Pelos resultados em campo, o clube da Gávea foi o único brasileiro eliminado na primeira fase.

É verdade que o Flamengo não foi o único clube grande a ser eliminado na fase de grupos da Libertadores. No grupo do Botafogo, por exemplo, Estudiantes e Atlético Nacional foram eliminados de maneira até precoce. Antes da última rodada já sabiam que não poderiam mais avançar. O Peñarol, clube pentacampeão da Libertadores, também foi eliminado na fase de grupos.

Porém, quando um clube se estrutura financeiramente e consegue usufruir de uma riqueza como a do Flamengo (com uma folha salarial de 7,5 milhões), as expectativas aumentam. E há 36 anos o rubro-negro não conquista uma Libertadores. Mais: não avança a uma quarta de final desde 1993.

Após o título de 1981, foram 12 participações na competição continental. Só Grêmio e São Paulo estiveram mais presentes na Libertadores neste mesmo período (17 e 15 vezes, respectivamente). Porém, falando em títulos, oito clubes brasileiros conquistaram a tão cobiçada taça. OITO. E outros três chegaram pelo menos até a final (São Caetano, Atlético-PR e Fluminense).

Fonte: ogol.com.br

Nas seis últimas Libertadores disputadas pelo clube da Gávea, três quedas nas oitavas e três quedas na primeira fase.

O clube de maior torcida do Brasil e que goza de boa administração financeira com a administração Bandeira de Mello não consegue traduzir os altos valores referentes a patrocínio máster (25 milhões da Caixa) e cotas de TV (170 milhões) em títulos internacionais.

Não é algo fácil. Mas quanto maiores as frustrações, maiores os prejuízos e os desperdícios de bons elencos. A cobrança deve ser grande. Um clube das dimensões do Flamengo não pode ser tão coadjuvante da competição mais importante da América do Sul. Um dos elencos mais fortes ser eliminado na primeira fase mostra um erro estratégico por parte do técnico Zé Ricardo, que foi incapaz de fazer com que a equipe conquistasse ao menos 1 mísero ponto fora de casa.

Analisando friamente, os números do Flamengo nesta Libertadores não foram ruins. Dentro de seu grupo (um dos mais difíceis) teve o melhor ataque e a defesa menos vazada, tendo portanto o melhor saldo de gols, o que comprova que os setores funcionavam dentro de campo e que o trabalho do técnico deve prosseguir. Mas nos jogos fora de casa, é preciso mais. Times inferiores equilibram uma partida aos 30, 40 minutos do segundo tempo, somente com raça, garra ou mesmo só os intermináveis chuveirinhos, transformando os jogos em verdadeiras loterias. Instintivamente, muitos times, ao invés de manter a posse de bola e cadenciar a partida, retraem o máximo possível o posicionamento, tornando os últimos minutos dessas partidas em suplícios para os torcedores.

O Flamengo foi vítima disso. A derrota para a Universidad Católica, no Chile, quando o rubro-negro jogava melhor e dominava a partida e a virada tomada no fatídico jogo contra o San Lorenzo, faltando menos de um tempo para a partida acabar. É o que torna a Libertadores uma competição difícil e imprevisível. Mas pelo retrospecto recente, o resultado do Flamengo era (infelizmente) previsível. Cabeças não devem rolar, mas as discussões sobre o planejamento da direção de futebol e da comissão técnica devem ganhar mais seriedade. Time grande precisa de resultados grandes. E o Flamengo tem time para pensar em grandes conquistas. O que falta?

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