A atual temporada do Campeonato Brasileiro começou de um jeito diferente em comparação com as anteriores: técnicos mais jovens – com maior aprimoramento teórico do que os medalhões – assumiram o papel de comando das principais equipes do Brasil. No entanto, os resultados não apareceram como se esperava e nomes como Eduardo Baptista, Roger Machado, Zé Ricardo e até mesmo Rogério Ceni não suportaram a pressão e hoje aguardam por novos contratos.

Vários fatores foram cruciais para a falta de sucesso desses treinadores no cenário nacional. A saída de atletas e a dificuldade de gerir elencos caríssimos dificultaram a longevidade dos novos profissionais no banco de reservas. Assim, a falta de consistência nos trabalhos e o imediatismo no futebol já derrubaram vários comandantes nesse primeiro semestre de 2017.

Em Minas Gerais, Roger Machado chegou ao Atlético-MG com o status de técnico mais promissor da nova geração (título merecido após um excelente trabalho no Grêmio). Apesar da fama, Roger não conseguiu implementar sua ideia de jogo no badalado time mineiro e acabou deixando a equipe perto da zona de rebaixamento no Brasileirão e com uma derrota para o Jorge Wilstermann (BOL) no primeiro duelo das oitavas de final da Libertadores.

O futebol paulista, com Palmeiras e São Paulo, foi o que mais sofreu com as apostas em técnicos emergentes. Depois do título brasileiro de 2016, Eduardo Baptista quis mudar o jeito de o Verdão atuar, mas os jogadores parecem não ter assimilado o novo estilo. Resultado: Eduardo Baptista também foi demitido. O Tricolor Paulista, por sua vez, contratou o “mito” na esperança de que o sucesso dentro de campo se repetisse fora dele. No entanto, a perda de jogadores e a inexperiência não ajudaram Ceni, que saiu do clube com três eliminações no currículo.

No Rio de Janeiro, Zé Ricardo não teve capacidade de dirigir o estrelado elenco do Flamengo, segundo mais caro do futebol nacional. Diferentemente dos outros técnicos, ele foi efetivado ainda em junho do ano passado e, devido ao bom trabalho, se manteve no cargo para mais uma jornada. Porém, a chegada de atletas como Diego Ribas e Éverton Ribeiro e a Eliminação precoce na principal competição da América do Sul pressionaram ainda mais o comandante, que deixou o Rubro-Negro.

Nova safra se mantém com Carille e Jair Ventura

Apesar da má fase, essa geração de treinadores ainda vê uma luz no fim do túnel, afinal Fábio Carille e Jair Ventura fazem bons trabalhos à frente de Corinthians e Botafogo, se configuram como os únicos sobreviventes da nova safra e mostram que o trabalho de um técnico não pode ter apenas seis meses de duração.

Um ponto totalmente fora da curva, assim pode ser definida a campanha do Corinthians no Brasileirão e isso certamente se deve ao trabalho de Carille. Invicto no primeiro turno, algo inédito na história dos pontos corridos, o Timão é um time organizado e ‘cirúrgico’, que se defende como poucos e tem uma eficiência invejável no momento ofensivo, algo que se reflete nas estatísticas: com nove 9 gols sofridos e 32 marcados, a equipe conta com a melhor defesa e o segundo melhor ataque do Nacional.

Jair Ventura, ao contrário de Carille, não tem uma campanha tão consistente, mas, dividido entre duas competições, consegue fazer o terceiro elenco mais barato do país dar orgulho à sua torcida. Depois de vencer o Nacional (URU) fora de casa, o time da estrela solitária é um dos únicos com vantagem nas oitavas da Libertadores. Além disso, os cariocas estão a apenas três pontos do G6.

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