Eles são cada vez mais raros e estão fazendo falta ao futebol brasileir… os ídolos!

O que representa o grande ídolo para um clube e sua torcida? Gols? Títulos? Prêmios? Digamos que para quem frequenta estádios e já teve o prazer de acompanhar de perto algum jogador marcante, sabe que é muito mais do que isso. Gera histórias. Histórias como a de Francesco Totti, que teve um ponto final após 25 anos defendendo as cores da Roma. O menino que cresceu vendo partidas do time da capital, ali no Estádio Olímpico, venceu. Teve a rara oportunidade de descer e representar seus semelhantes. Mais do que isso, ultrapassou os limites de simples atleta, e agora passa a ser a história viva.

O futebol é muito mais do ser ou não campeão ao fim da temporada. São momentos que marcam as nossas vidas, e nos aproximam de uma forma estranha daqueles 11 jogadores que nos representam. Isso é muito mais valioso que dinheiro. Dinheiro acaba, mas histórias como a de Totti, livros e pessoas não deixarão morrer. Mas nos dias atuais está cada vez mais difícil vivenciar momentos como esse. E como perde o futebol. Isso empobrece os nossos campeonatos, esvazia nossas arquibancadas, distancia novas gerações.

Um pôster de time campeão de dois, três anos atrás, dificilmente conta com mais de quatro ou cinco atletas remanescentes. O jogador não cria mais raízes, muda de camisa como se mudasse de roupa para ir ao shopping. Doce ilusão dos dirigentes e dos céticos que acham que isso não é um duro golpe para as arquibancadas. Ídolo não necessariamente precisa ser craque, mas sim, fiel. Para isso, não precisa vestir apenas uma camisa, mas representá-la bem enquanto fizer isso. Ídolo pode se machucar, jogar mal, ser expulso, brigar com treinador. Não precisar ser perfeitinho, dando discursos recheados de media training. Isso é muito chato, e não acrescenta absolutamente nada.

O torcedor quer pessoas autênticas. Que fiquem bravas ou tristes com a derrota, e felizes com a vitória. Quer um cara que lhe represente nos piores e melhores momentos. Que aponte o dedo para as coisas erradas que acontecem dentro do clube, e aplauda os acertos. Que chame a responsabilidade na hora de cobrar um pênalti aos 44 minutos do segundo tempo. Que passe a mão na cabeça dos meninos que falham. Ou seja, totalmente o caminho inverso ao que os jogadores fazem hoje em dia. Agora, a moda é não comemorar gol contra ex-clube, e falar que a história que foi escrita lá, é bonita, mas ficou para trás. Isso é pobre, e garante a esse atleta uma passagem de primeira classe para o anonimato.

No Brasil, nós já tivemos muitos exemplos como o de Totti. Principalmente no que diz respeito ao conteúdo. Marcos, Rogério Ceni, Neto, Edmundo, Marcelinho Carioca, Romário, Sócrates, Zico, Falcão, Serginho Chulapa, e por aí vai. Infelizmente, hoje eles deram espaço para um tipo de atleta insosso e muitas vezes mediano tecnicamente. E pode apostar, se pintar uma proposta um pouquinho melhor, ele vai. Não importa se estiver no meio de temporada.

Torcedor, fica aqui um apelo. Seja mais exigente na hora de escolher seus ídolos. Não aplauda esse tipo de jogador sabonete. Trate com a mesma indiferença que eles tratam a arquibancada. Cobre mais atitude, mais personalidade, mais amor à camisa. É um pequeno passo, mas que pode fazer a diferença. Ah, é claro, vale rezar para que um dia nosso futebol seja mais valorizado e organizado. Para assim, oferecer uma estrutura melhor para os craques, e que daqui eles não precisem ir embora.

Quer se emocionar? Então dê uma olhada na despedida de Totti. É bom preparar os lenços de papel…

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