Buffon Juventus
Buffon é expulso nos quartos de final da Liga dos Campeões.

Quartos de Final da Champions, Real Madrid x Juventus no Bernabéu, uma eliminatória quase resolvida depois do 0-3 favorável aos Merengues em Itália. Importante ressalvar este “quase” porque realmente o futebol é fértil em surpresas e na noite anterior todo o mundo futebolístico assistiu em choque a uma remontada fantástica da Roma frente ao favoritíssimo Barcelona.

Entre os postes da Vecchia Signora, figura um homem habituado a reverter situações complicadas, ora não tivesse a experiência de mais de 20 anos de carreira e um rasto de 116 jogos na Liga dos Campeões. Valendo-se de toda a sua experiência, foi certamente uma das vozes que não deixou o balneário baixar a cabeça perante o cenário absolutamente adverso de reverter uma desvantagem de 3 golos frente ao bi campeão europeu, ainda para mais atuando no terreno do adversário.

Se para os colegas este jogo assumia uma enorme importância, para Buffon a carga emocional era ainda maior, ou não estivesse em risco a última oportunidade do guardião vencer a prova máxima de clubes da UEFA, já que tinha anunciado no início da época que se retiraria dos relvados caso o clube não vencesse a competição.

O acreditar dos italianos começou a fazer sentir-se desde cedo com o primeiro golo logo aos 2 minutos, por Mário Mandzukic. Um golo que abria uma janela de oportunidade, mas que ainda assim deixava a Juventus à distância de 2 golos da igualdade na eliminatória. O segundo golo ainda na primeira parte, bis de Mandzukic, encheu os italianos de esperança numa reviravolta épica. A esta hora Buffon acreditaria com certeza que o seu sonho não iria cair por terra naquela noite.

Com a segunda parte veio o terceiro golo da Juventus e uma explosão de alegria nos adeptos italianos. Mas havia um adepto especial que festejava quem nem uma criança em pleno relvado, junto à baliza contrária. Aos 40 anos de idade, Buffon estava a meio de uma noite mágica em pleno Santiago Bernabéu. Segundos de festejos em que devem ter passado muitos momentos de carreira pela sua cabeça. Uma carreira que não conheceu apenas a Juventus, mas que encontrou na Vecchia Signora o amor de uma vida, que nunca abandonou mesmo nos momentos mais negros, como a descida do clube à serie B, logo após se sagrar campeão do Mundo pelo seu país em 2006.

Quando já quase todos esperariam o prolongamento na eliminatória, surge uma penalty para o Real Madrid já nos descontos, como que uma espada a furar o sonho de Buffon, que não conseguiu controlar toda a sua frustração e acabou expulso por protestos. Um exemplo dentro e fora do campo, a provar que também é humano, e a sair de cena da forma que certamente menos desejava. Na conversão do penalty, Ronaldo não perdoou e colocou assim fim ao sonho.

Gianluigi Buffon prepara a sua retirada do futebol

Terá sido provavelmente a última oportunidade para Gianluigi Buffon alcançar o tão desejado troféu que tanto perseguiu, mas ainda resta a esperança aos seus fãs que reconsidere e prolongue a sua carreira por mais uma época, depois de ter feito o mesmo em relação à seleção italiana onde também tinha anunciado o abandono depois do falhanço na qualificação para o Mundial, que lhe valeu lágrimas e provocou mensagens de admiração por todo o mundo.

E é assim que o mundo do futebol olha para Buffon, com uma admiração tremenda por um dos nomes que marcaram a história do desporto rei. Prova disso mesmo, foi a forma como Cristiano Ronaldo depois do jogo parou junto à zona mista para cumprimentar a lenda italiana, num gesto de fair play que ficou viral.

Porque no fundo, não é a não conquista de uma Champions, que vai apagar da memória um dos maiores de sempre.

Comentários
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Tomás Brázia
Tenho 22 anos, sou Licenciado em Ciências da Comunicação e desde cedo que me interessei por futebol. Comecei a acompanhar a modalidade por influência do meu avô, que me levava ao estádio, e a partir dessa altura sempre segui atentamente, tanto o futebol nacional como internacional. Tenho várias equipas referência, que influenciaram a minha visão do jogo ao longo do tempo, sendo a primeira de todas o Arsenal de 2004, que ficou conhecida como “Os Invencíveis”. Contudo, aquela que mais me marcou pessoalmente foi a geração Tiki Taka, que brilhou tanto no Barcelona como na Seleção Espanhola. Na minha opinião, o segredo para o futebol ser uma modalidade tão apaixonante passa pela sua simplicidade nas regras, o que o torna num jogo tão emotivo e imprevisível, sendo talvez aquele onde há espaço a maiores surpresas e onde é mais possível combater a desigualdade de forças entre duas equipas. A escrita é a forma em que me sinto mais confortável para discutir e analisar futebol, que para além dos fatores anteriores que apontei, também é a modalidade que suscita maior pluralidade de opiniões, o que acaba por enriquecer o debate em torno do jogo.