Piatek ao serviço do Genoa
Fonte: Goal.com

Em 2017/18, Pedro Pereira, Miguel Veloso e Iuri Ribeiro viveram uma época intranquila em Génova. Aquele que é, a par da Sampdoria, o principal clube daquela cidade – que, em agosto, ficou nas bocas do mundo após o colapso da ponte Morandi, que vitimou 43 pessoas – salvou-se da despromoção somente por seis pontos. E os adeptos bem podem agradecer aos seus defesas, já que os rossoblu, excluindo as equipas que se apuraram para as competições europeias, foram quem consentiu menos golos. O que falhou, então?

Pese embora o facto de ser uma formação tradicionalmente defensiva, a verdade é que a parca produção atacante do Genoa se deveu também ao sub-rendimento dos seus avançados. Os quatro golos em 30 jogos de Gianluca Lapadula, o melhor marcador da equipa, ajudam a explicar o facto do clube ter sido o terceiro pior ataque do campeonato – só Sassuolo e Verona encontraram menos vezes o caminho para o fundo das redes adversárias.

Perante este cenário, Enrico Preziosi, presidente do clube, encetou contactos em busca de um homem-golo assim que a temporada terminou. Nesse sentido, no final de maio, sentou-se à mesa com um agente polaco, que lhe mostrou um vídeo de um jogador daquele campeonato que era visto como o “novo Lewandowski”. Nesse momento, Preziosi terá sentido uma alfinetada no ego. Porquê? É simples: em 2010, o dirigente esteve muito perto de contratar o agora jogador do Bayern quando este ainda representava o Lech Poznan, tendo mesmo uma boa parte da imprensa desportiva italiana dado a transferência como certa.

Porém, o negócio caiu por terra quando, ao encontrar-se com Lewandowski nas bancadas do estádio Luigi Ferraris (onde ambos assistiam ao dérbi frente à Sampdoria), o dirigente ficou pouco impressionado com a estampa física do atleta. Oito anos depois, período no qual o polaco se tornou num dos melhores pontas-de-lança do mundo, Preziosi ainda sente na pele o arrependimento por esse lapso de julgamento.

À luz desse erro de casting do passado, o presidente genovês olhou para o jogador apresentado no vídeo com uma mentalidade mais aberta. É que Piatek, com 1,83 metros e 77 quilos, apesar de não ser propriamente baixo, também não é o típico “pinheiro de área” que tantos treinadores gostam de ter nos seus plantéis.

Na verdade, as caraterísticas que têm feito do incógnito goleador a grande revelação da época futebolística são a aceleração, o drible em espaços curtos, a receção, a inteligência nas movimentações, a facilidade na finalização (com ambos os pés e de cabeça) e, por fim, a capacidade em segurar a bola de costas para a baliza – que diz ter aperfeiçoado desde as camadas jovens a ver jogar Lewandowski, a sua maior referência dentro das quatro linhas.

Curiosamente, o ídolo e o aprendiz fizeram a estreia a jogar em simultâneo pela seleção polaca no passado dia onze de outubro, diante de Portugal. O encontro a contar para a Liga das Nações terminou com um triunfo por 3-2 para a formação lusa, mas foi o inevitável Piatek quem abriu as hostes, estreando-se assim a marcar ao serviço da Polónia na sua segunda internacionalização A.

Piatek marcou no jogo entre Polónia e Portugal
Piatek fez o primeiro golo pela seleção da Polónia no encontro frente a Portugal

O erro do passado com Lewandowski e o vídeo do agente, bem como os 50 golos que marcou na liga polaca desde que se estreou em 2014 – com 18 anos – convenceram Preziosi a pagar quatro milhões e meio de euros por Piatek. E o novo recruta não tardou a mostrar serviço, tendo terminado a pré-época com dez golos na conta pessoal. No primeiro jogo oficial da temporada, entrou de imediato nas boas graças dos adeptos rossoblu, apresentando-se com um “póquer” contra o Lecce para a Coppa Italia.

Mas a fome goleadora do jovem polaco, de 23 anos, estava longe de estar saciada. Para o provar, Piatek resolveu marcar nas primeiras sete jornadas do campeonato. Como se isso não bastasse, bisou frente a Empoli e Frosinone, perfazendo um total de nove golos em sete partidas para a Serie A. Graças a esse registo, superou os aclamados Shevchenko (cinco golos em quatro jogos) e Zico (seis em sete) e ousou chegar perto de Gabriel Batistuta, que marcou nas primeiras onze rondas da competição.

Ficou pela primeira vez em branco no passado fim de semana, no surpreendente empate a uma bola do Genoa em casa da Juventus. Curiosamente, o golo da Vechia Signora foi da autoria de Cristiano Ronaldo, ele que tem visto o polaco até aqui desconhecido isolar-se na corrida pela Bota de Ouro, um dos principais objetivos pessoais do português época após época.

Apesar de a temporada ainda estar na fase inicial, a verdade é que Piatek tem demonstrado uma regularidade muito pouco comum para quem se transferiu de uma liga periférica para um dos campeonatos mais competitivos do mundo. Por isso mesmo, não é de admirar que já tenha sido associado a grande parte dos “tubarões” do futebol europeu, tais como Chelsea, Manchester United, Barcelona e Real Madrid, que anda órfão de um goleador desde que Ronaldo se mudou para Itália.

A Enrico Preziosi, já não sobram dúvidas quando compara o seu novo diamante em bruto ao consagrado Robert Lewandowski: “Piatek é potencialmente melhor, muito melhor”. O futuro dirá se, desta feita, o presidente genovês tem razão.

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