Após o título conquistado no Euro 2016 surgiu um novo patamar de exigência. As derrotas nunca foram bem aceites por um povo lusitano habituado a lutar contra as maiores adversidades. Mas, depois da conquista, criou-se uma ideia de que teríamos que ser invencíveis.

A derrota com a Suíça, em Setembro do mesmo ano, trouxe imediatamente algumas interrogações quanto ao que seríamos capazes de fazer num grupo teoricamente acessível. Mais tarde, em 2017, com o Chile, a marca das grandes penalidades traiu-nos (0-3), nas meias-finais da Taça das Confederações. Estávamos fora da decisão final e restava-nos o jogo do terceiro e quarto lugar. Nova onda de contestação em Portugal.

A verdade foi que acabámos por garantir o primeiro lugar do grupo e o acesso direto ao Mundial da Rússia 2018. Já nas Confederações, garantimos o terceiro lugar, perdendo “apenas” na lotaria dos penáltis. E agora? Agora segue-se a maior competição internacional do planeta. O favoritismo foi dado aos habituais. Alemanha, Brasil ou Espanha são vistos como os principais candidatos. Portugal surge numa segunda linha, juntamente com França ou Argentina.

A Convocatória Final

E quais os 23 que podemos esperar? Quais as maiores ausências ou quem merecia estar presente? Quais os pontos mais fortes e mais debilitados da equipa? O selecionador português revelou na segunda feira uma lista com 35 pré-convocados.

Desde logo, a inclusão de Paulinho, jogador do Braga, afigura-se como a maior surpresa. Mas com um toque de justiça. O avançado fez 17 golos e 5 assistências na primeira época ao serviço dos guerreiros do Minho e pode muito bem ser a opção que falta numa posição com debilidades crónicas na seleção. Também Rony Lopes, com 15 golos e 3 assistências no Mónaco de Leonardo Jardim, mereceu um lugar nos pré-eleitos, depois de uma temporada fantástica na equipa monegasca.

Já de fora ficam Danilo, por lesão, Fabio Coentrão, depois de anunciar que não se encontra disponível para o Mundial, Pizzi e Rafa, ambos por opção. Também Renato Sanches, uma das figuras do Euro 2016, fica de fora, depois de uma temporada para esquecer do jovem internacional português.

Renato faz o golo do empate nos Quartos-de-Final do Euro 2016, frente à Polônia

Quanto à convocatória final, façamos um exercício de previsão. Na baliza é a única posição onde já há garantias, se tudo correr dentro da normalidade. Rui Patrício, Anthony Lopes e Beto foram os escolhidos. Quanto à linha defensiva, dada a ausência de Danilo, Fernando Santos garantiu que teria que levar 8 atletas.

As maiores probabilidades caiem sobre Cédric e Nélson Semedo na lateral direita. O facto do primeiro ser o que apresenta maiores garantias defensivas e do segundo alinhar pelo Barcelona, faz com que seja mais provável a ida ao Mundial, não obstante o valor e as excelentes temporada realizadas, tanto por João Cancelo, como por Ricardo Pereira. No centro, as escolhas deverão recair sobre Pepe e Fonte. Depois, Rúben Dias deverá ser aposta, não só por se tratar de um indiscutível do Benfica, como pela jovem idade, o que poderá garantir à Seleção Nacional a renovação de um setor com algumas limitações no presente. Bruno Alves, pela enorme experiência, deverá ser a última opção, embora Rolando espreite ainda uma hipótese. Quanto à asa esquerda, Raphael Guerreiro e Mário Rui deverão completar o setor defensivo.

No que toca ao meio-campo, será, provavelmente, a posição com mais opções válidas. William Carvalho tem lugar garantido, sendo o único 6 puro. Rúben Neves será a melhor alternativa ao jogador leonino naquela posição e também terá lugar reservado.

Sobrando 4 lugares para 6 “carregadores do piano”, João Moutinho não oferece grandes duvidas e vai ser opção. Nas restantes 3 vagas surgem as maiores dúvidas no centro do terreno.

André Gomes, João Mário e Adrien Silva são escolhas habituais de Fernando Santos e deverão ser novamente os selecionados, mas todos tiveram épocas abaixo do espectável. Já Bruno Fernandes, a maior figura do Sporting esta temporada, pisca o olho a um lugar, com o fator de ter um histórico como capitão das seleções jovens nacionais a seu favor. Manuel Fernandes apresentou-se como o principal destaque do Lokomotiv de Moscovo, coroando a temporada com o título de campeão russo, terminando um jejum de 14 anos do clube e poderá ser também uma opção viável. Por fim, Sérgio Oliveira foi importante na conquista do título para o Porto, mas não deverá ser um dos 23 a ir à Rússia.

Na frente de ataque, excesso de opções para as alas e défice para o centro. A presença do capitão Cristiano Ronaldo é uma certeza. Assim como a de Bernardo Silva. Gonçalo Guedes realizou uma grande temporada em Valência e será escolha. André Silva, apesar de uma temporada com fraco rendimento, com 10 remates certeiros em 39 presenças, tem do seu lado os 11 golos que apontou em 20 internacionalizações e será, também, opção. A experiência de Ricardo Quaresma e a imprevisibilidade são um trunfo forte para a seleção e deverá estar ao dispor de Portugal no Mundial. Para a última vaga, a escolha deverá recair em Rony Lopes ou Gelson Martins, ambos com temporadas de alto nível.

De fora ficará um dos dois, juntamente com Nani, até agora escolha assídua de Fernando Santos, mas com uma época muito apagada na Lázio. Éder, o herói do Euro 2016, também ficará de fora, apesar de golo apontado pelo Lokomotiv que garantiu a conquista do título. Paulinho, que poderia ser uma excelente opção na frente de ataque, vê assim a porta praticamente fechada.

Éder faz o golo mais importante da história do futebol português

A convocatória final não deverá fugir muito da que foi aqui descrita. Uma coisa é certa, a Seleção das Quinas contará com uma equipa forte e que dá garantias, não só aos adeptos, mas ao povo português, de que é possível vencer o Campeonato do Mundo.

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