O Campeonato Brasileiro da Série A acaba de passar pela sexta rodada e, até aqui, cinco técnicos já caíram. Ficaram pelo caminho: Ney Franco (Sport), Paulo Autuori (Atlético-PR), Marcelo Cabo (Atlético- GO), Petkovic (Vitória), e mais recentemente, Dorival Júnior (Santos). O Bahia também mudou de treinador, mas por necessidade, após perder Guto Ferreira para o Internacional. Contando apenas as demissões, o campeonato tem uma média próxima de uma por rodada.

Essa onda de demissões não surpreende, mas gera casos curiosos. Paulo Autuori classificou o Furacão às oitavas de final da Libertadores e “caiu para cima”, se assim podemos dizer. Deixou o cargo de treinador para assumir o de coordenador de futebol. No seu lugar entrou o já demitido em 2017, Eduardo Baptista. Petkovic assumiu como diretor de futebol do Vitória. Contratou-se como técnico, e logo após uma série de resultados ruins, demitiu-se. Alexandre Gallo assumiu.

Os anos passam e muita coisa mudou no futebol brasileiro: Os CTs estão melhores, a fisiologia consegue apontar o nível de desgaste dos jogadores, criaram-se coletivas de imprensa, os empresários dominaram a área, as vendas de ingressos migraram para a internet com escolha de assento, alguns estádios mais antigos deram lugar as novas arenas, a FIFA está em viés de promover o auxílio de tecnologia aos árbitros, etc. Mas uma coisa não muda nunca: o amadorismo quando o assunto são os treinadores.

Conselheiro palpita daqui, sugere nome de lá, corneta o treinador atual, pede sua cabeça… E os presidentes continuam atendendo essas exigências, que na maioria das vezes chegam a ser bizarras. Trocam seis por meia dúzia, quando não por três. E as desculpas são patéticas, algumas do tipo: “Mudamos para dar uma chacoalhada no elenco”. Onde está o profissionalismo nesta frase? Fica a impressão de que estamos nos anos 20 ou 30, quando o futebol era repleto de casos que refletiam o amadorismo da época.

Demissão de Dorival Júnior do Santos gerou polêmica na última semana

Futebol envolve dinheiro, patrocinadores, planos de torcedores, vendas de direitos televisivos. Como é possível que grandes clubes sejam geridos desta forma em 2017? O técnico é algo fundamental para uma equipe de futebol. Ele moldará a forma do time jogar, dará entrevistas, montará o elenco com contratações e dispensas, será o responsável por explicar ao torcedor o motivo das derrotas e vitórias logo após os jogos.

Trocar o comandante significa começar do zero. Pode dar certo? Claro que sim. Inúmeras vezes esse método funciona, senão não seria tão utilizado. Mas na grande maioria das vezes, ele é ainda mais eficaz para o dirigente que praticamente se exime da culpa pelas besteiras que faz. Joga 110% da responsabilidade pelos insucessos nas costas do pobre profissional que acabou de deixar o clube, e segue no comando, sendo incompetente.

Se o trabalho é bom, os jogadores foram bem escolhidos, o treinador selecionado a dedo de acordo com a forma que se deseja que o time atue, por que mudar? Salvo algum problema de relacionamento insustentável, é porque o planejamento foi ruim. E, é claro, é aquele velho ditado: a corda sempre estoura para o lado mais fraco. Este tradicional modelo de gestão de clubes está praticamente falido. Talvez seja o momento de repensar os métodos de administração dos nossos times. A farra das demissões é um sinal claro disso.

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