FC Porto campeão 17/18
Fonte: Público

Com o fim de mais um campeonato nacional, é tempo de analisar os dois extremos da tabela e perceber que desafios cada clube tem pela frente.

1º Lugar

O FC Porto partiu para as duas derradeiras partidas com o estatuto de campeão. Assim, o jogo com o Vitória SC em Guimarães – que também já tinha assegurado um desapontante lugar a meio da tabela – foi jogado sem grande competitividade, tendo cabido a Marcano assinar o golo solitário da vitória portista.

Para os “dragões”, após uma época de contenção de custos por incumprimento das regras de fair-play financeiro, há dois desafios principais em vista. Primeiro, manter o cobiçado Sérgio Conceição no comando da equipa. Segundo, assegurar o futuro do setor defensivo: Marcano, Maxi Pereira e Diego Reyes terminam contrato em julho, enquanto que Ricardo Pereira e Diogo Dalot entram no último ano de vínculo ao clube.

2º Lugar

Jonas foi a grande figura do Benfica 17/18
Fonte: SL Benfica

A vitória suada dada pelo inevitável Jonas na última jornada, frente ao aflito Moreirense, revelou-se crucial para as contas finais do Benfica no campeonato. Com a derrota do Sporting diante do Marítimo, os “encarnados” passaram para o 2º lugar, que, mesmo não sendo o objetivo principal do clube, garante uma esperançosa ida à 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Até lá, Rui Vitória quererá que sejam, com um ano de atraso, devidamente colmatadas as saídas de Ederson, Lindelof, Nélson Semedo e Mitroglou, cujas vendas no verão passado significaram uma redução significativa de qualidade no plantel.

3º Lugar

Gelson Martins - Sporting
Fonte: Record

Dos ditos três grandes, o Sporting é aquele que vive a situação mais delicada. O desaire na Madeira e consequente queda para o 3º posto da tabela significou a falha ao acesso à Liga dos Campeões, o que, financeiramente, terá um impacto assinalável para a temporada que se avizinha.

Este acontecimento produziu um efeito dominó de graves proporções e cujas consequências finais são, por ora, impossíveis de projetar. A decisão (entretanto revogada) de Bruno de Carvalho em suspender Jorge Jesus não foi bem acolhida por algumas das peças-chave do plantel – como Rui Patrício, William Carvalho e Bas Dost -, que, alegadamente, terão recusado jogar a final da Taça de Portugal caso o treinador não estivesse no banco.

Mas o pior ainda estava para vir. Naquele que é já considerado um dos episódios mais negros da história do futebol português, um grupo de “adeptos” (a natureza selvagem dos mesmos obriga ao uso de aspas para os classificar) invadiu o centro de treinos do clube e agrediu Jorge Jesus e vários jogadores.

Com o país ainda em estado de choque, Bruno de Carvalho colocou-se do lado do treinador e plantel, mas o estrago já estava feito. Neste estado de coisas, a saída de Jorge Jesus, bem como de uma boa parte dos jogadores (quiçá por rescisão unilateral do contrato), parece inevitável. Uma reação em cadeia sem fim à vista e que faz augurar tempos difíceis para os lados de Alvalade…

4º e 5º Lugares

SC Braga - Rio Ave
Fonte: O Minho

SC Braga e Rio Ave, foram, respetivamente, os 4º e 5º classificados do campeonato. Os arsenalistas têm a presença assegurada na Liga Europa na próxima temporada, enquanto que a participação dos vilacondenses está dependente do vencedor da Taça de Portugal.

No que ao mercado diz respeito, ambos os clubes têm pela frente desafios semelhantes. Em primeiro lugar, pela indefinição quanto à permanência dos respetivos treinadores, já que tanto Abel Ferreira como Miguel Cardoso têm sido constantemente associados a emblemas de maior dimensão.

Depois, pela expectável saída de jogadores importantes no próximo defeso. Por exemplo, Guedes – melhor marcador dos rioavistas nas últimas três temporadas – já assinou pelo Al-Dhafra, dos Emirados Árabes Unidos.

Por fim, ambos os clubes assemelham-se pelo elevado número de atletas emprestados por terceiros nas suas fileiras, vagas que terão de ser preenchidas no próximo mercado de transferências. Nesse campo, a boa relação que SC Braga e Rio Ave têm com a Gestifute, de Jorge Mendes, deverá ser crucial.

17º e 18º Lugares

Feirense - Estoril
Fonte: Sapo Desporto

À entrada para a última jornada do campeonato, cinco equipas lutavam pela permanência na I Liga: Moreirense, Vitória de Setúbal, Feirense, Paços de Ferreira e Estoril. A “fava” saiu aos dois últimos, que, curiosamente, há apenas algumas épocas, tinham participado em competições europeias.

Para o Paços, que foi ao Algarve perder por 3-1 com o Portimonense, a descida significa o abandono da divisão que ocupavam há já uma dúzia de anos. Inevitavelmente, o plantel da próxima temporada deverá ser consideravelmente diferente do atual, com muitos jogadores a rumar a outras paragens durante o mercado de transferências. No entanto, as bases sólidas do clube fazem prever um regresso dos “castores” ao escalão primodivisionário a curto/médio prazo.

Já o Estoril, não foi além do nulo no reduto de um adversário direto pela permanência – o Feirense – e volta à II Liga seis anos depois. As várias mudanças no comando técnico, bem como o clima de suspeição em torno do clube após a derrota na receção ao FC Porto, nunca permitiram à equipa adquirir a estabilidade necessária para tirar o melhor proveito da qualidade do plantel. Para além disso, a empresa brasileira Traffic Sport – acionista maioritária da SAD dos “canarinhos” – já por várias ocasiões mostrou pretensões de abandonar o projeto, pelo que o caminho futuro dos estorilistas é algo incerto.

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