Comandado por um interino, sem dinheiro para reforços e usando mais a base. O Corinthians começou o ano com expectativas negativas para a temporada. “É brigar pra não cair”, diziam alguns dos torcedores. Após um 2016 fraco, qualquer ganho seria um grande lucro.

Enquanto isso, Palmeiras e Santos vinham das duas primeiras posições do Brasileirão, enquanto o São Paulo contratava nomes como Lucas Pratto. Até mesmo a Ponte Preta esteve mais falada do que o alvinegro da capital. E bom, como já sabemos, o Paulistão revelou uma surpresa: o Corinthians não estava tão mal assim.

No Brasileirão a história é outra (?)

Até aqui, doze rodadas foram disputadas no torneio nacional. Ou seja, 36 pontos em jogo para as 20 equipes da Série A. Destes, o Corinthians conseguiu obter 32, com dez vitórias e dois empates. Líder de forma invicta, abriu nove pontos de vantagem para o vice, que agora é o Flamengo. Como?

Fabio Carille, no seu estilo quieto, mostrou inteligência. Desde 2009 no clube, acumulou bagagem com as passagens de Mano Menezes e Tite, absorvendo os pensamentos vitoriosos de ambos. Na teoria, a história é uma. E na prática tem sido ainda melhor. Já são 26 jogos de invencibilidade da equipe no ano.

Os três rivais já trocaram de técnico no ano. Porém, no Corinthians, o remanescente Carille tem alguns segredos. Ou melhor, dedicação e confiança dos jogadores.

Recuperação de Cássio e Jô

O camisa 12 do Timão não esteve em grande forma no ano passado. Sondagens de clubes de fora, uma possível saída e brigas com a balança fizeram com que o melhor jogador do Mundial de Clubes de 2012 ficasse no banco durante quase o ano todo. Walter jogou e manteve uma boa média.

Porém, logo que Carille assumiu o time, afirmou: Cássio é o titular. Mesmo que tivesse que lutar contra todos os fatores negativos por isso. E o fez. Com uma boa pré-temporada, mais confiança do grupo e aval do treinador, o goleiro recuperou sua forma. Hoje é novamente um dos principais nomes do time, cotado até na Seleção Brasileira. Assim como o de Jô.

O atacante, que chegou a disputar a Copa do Mundo de 2014, era visto como um jogador indisciplinado. Chegou com um pouco de desconfiança ao Timão, e não começou o ano tão bem. Porém, quando engrenou, virou a peça de referência no ataque. Hoje, o camisa 7 é titular absoluto e sinônimo de gols.

Chance aos garotos

Entre os titulares, Maycon e Arana sempre saem das partidas como destaques. No banco, nomes como Léo Santos, Pedro Henrique, Léo Príncipe e principalmente Pedrinho dão conta do recado quando precisam entrar em campo.

Lançando os jovens talentos da base aos poucos, Carille conseguiu ganhar a torcida. Isso com a ajuda de Osmar Loss, que é seu auxiliar. Sem usar garotos de categorias inferiores por alguns anos, o Corinthians precisava testar aqueles sempre estão entre os finalistas da Copinha. E deu resultado.

Sem custos, ótimos jogadores foram descobertos. Também sem custos, um ótimo técnico surgiu.

Com pés no chão e sem precipitar, os corintianos preferem esperar o decorrer do campeonato para empolgar. Mas fato é que uma vantagem de nove pontos ao segundo colocado é rara. Palmas para Carille, para os garotos e aos desacreditados. De candidato ao rebaixamento, o Corinthians vira candidato ao título brasileiro.

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