Ricardo Pessoa - Moreirense
Fonte: MaisFutebol

Tal como diz a dita popular “o prometido é devido”. Vimos assim publicar a segunda parte da entrevista exclusiva com Ricardo Pessoa, que colocou recentemente um ponto final na sua longa carreira de futebolista.

Passagem pelo Vitória de Setúbal

LP:Quando faz a transição para iniciados ingressa num histórico do futebol português, o Vitória de Setúbal. Foi decisiva a passagem ainda no escalão de iniciados para aquilo que foi a sua carreira?
RP: Obviamente que sim. Perante a diferença que existia num clube da terra, o Estrela de Vendas Novas e um clube como o Vitória de Setúbal, que disse muito bem, uma das maiores histórias do futebol português há sempre mais condições para evoluir. Eu penso que o trajecto de 3 anos que fiz no Estrela de Vendas Novas me permitiu, e admito isso, quando cheguei ao Vitória de Setúbal ter uma visão daquilo que ia encontrar. Uma estrutura mais profissional. O futebol e as capacidades nós tínhamos dentro de nós. Simplesmente as transportei para um clube que tinha mais condições para me fazer crescer. Com mais treinadores, mais acompanhamento, mais condições de trabalho. E a partir daí é normal crescer estando num clube que tinha condições para lutar com o Benfica, Sporting, Belenenses, Estrela da Amadora, todas as equipas mais fortes da zona sul. Poder estar nesse nível e poder enfrentar equipas tecnicamente e fisicamente mais fortes permite no futuro quando chegamos a juniores ter uma bagagem muito grande. Na altura, na minha opinião, existia uma grande diferença entre os juniores e os seniores, que neste momento não existe tanto, devido à melhoria das condições dos clubes.

LP: O que significou para si ser capitão das camadas jovens do Vitória de Setúbal?RP: Significa muito. Primeiro porque eu não era de Setúbal. Segundo comecei demonstrar algumas qualidades e capacidades que me permitiram ao longo da minha carreira ser capitão e uma voz ouvida nos seios dos grupos. Chegar e passado um ano ou dois, ser capitão das camadas jovens do Vitória de Setúbal, quando havia colegas meus que estavam há mais tempo no clube, é um sinal bastante positivo de orgulho.

LP: Na época 2001/2002, no seu primeiro ano de sénior, foi colega de Paulo Ferreira, o lateral direito mais regular do futebol português dos últimos 20 anos. Foi uma boa experiência partilhar o balneário com a maior referência nacional na sua posição (lateral direito) dos últimos anos?
RP: Foi bastante. Porque para além de um colega, foi um amigo que eu ainda hoje tenho, apesar das distâncias devido às nossas vidas profissionais. E encontrá-lo num momento em que ele está a evoluir muito (na época seguinte transferiu-se para o FC Porto) foi muito bom. Aprendi muito com ele.

LP: Na época 2003/2004 na II Liga fez parte da equipa do V. Setúbal que eliminou o Sporting na Taça de Portugal e na época seguinte venceu a competição. Ainda muito novo, calculo que tenha sido momentos inesquecíveis na sua carreira?
RP: Obviamente que sim. Vencer uma Taça de Portugal é algo que fica sempre registado no currículo de qualquer jogador. Fazê-lo num clube como o Vitória de Setúbal que apesar de já ter ganho 2 Taças é diferente. Todos nós sabemos que normalmente os troféus são mais acessíveis aos 3 grandes. Na altura tínhamos um grupo de trabalho excelente. Talvez o melhor grupo de trabalho que encontrei no futebol. Era uma equipa muito unida. Nesse ano tivemos muitos problemas financeiros e outras vertentes e nós conseguimos trazer a Taça para Setúbal frente ao Benfica que vinha de um título nacional que lhe fugia há 10 anos. É um momento marcante na carreira de qualquer jogador.

Passagem pelo Moreirense

LP: Jogou no Moreirense durante uma temporada. Este clube de uma pequena freguesia com menos de 5000 pessoas e venceu em 2016/2017 a Taça da Liga. É certamente um exemplo de organização no futebol português. O que o Moreirense têm para conseguir cada vez mais cimentar o seu nome entre os maiores do futebol português?
RP: O Moreirense é um clube especial. É uma terra pequena mas as pessoas têm muito orgulho no clube da terra, tem sido muito bem gerido dessa maneira. É gerido de forma familiar, a terra vive das fábricas, as pessoas trabalham mas ao fim de semana gostam de apoiar o clube da terra. Eu fui muito bem tratado em Moreia de Cónegos. Não posso apontar nada ao clube e às pessoas. Talvez seja o clube mais surpreendente do futebol. O segredo é a maneira como têm sido gerido, normalmente os outros clubes são de cidades maiores é diferente.

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