Ricardo Pessoa é o jogador com mais jogos e minutos na Taça da Liga

Continuamos hoje a publicar a extensa e exclusiva entrevista com Ricardo Pessoa, atleta que aos 36 anos colocou um ponto final na sua carreira.

LP: É o jogador com mais jogos (358) e minutos (31762) da II Liga Portuguesa dos últimos 20 anos, foi totalista por 3 vezes (recorde num jogador de campo). Na época 2014/2015 não falhou um minuto em 46 jogos. Qual é o segredo para tanta regularidade ao longo de tantos anos?
RP: Primeiro que tudo é tu seres sério no treino. Treinar no máximo, permite que tu jogues da mesma maneira. E depois a vida que fazes fora do campo. E teres um pouco de sorte com as lesões. São os 3 fatores essenciais para seres regular ao longo duma época

LP: Em 11 épocas na II Divisão viu apenas 27 amarelos. Certamente é muito difícil para um defesa manter este registo?
RP: Sim e isso tem muito a ver com as características que cada jogador têm. Eu nunca fui um jogador de fazer muitas faltas. Eu penso que ao longos destes anos apenas uma vez cheguei aos 5 cartões. Mas lá está, também é mais fácil para mim manter este registo, que um defesa central

LP: Muito forte nas bolas paradas, o Ricardo é o defesa mais goleador da II Liga das últimas 2 décadas. Não sendo a função do defesa marcar golos, calculo que seja um feito importante para si?
RP: Não sabia que era o defesa com mais golos na II Liga nos últimos 20 anos. É mais uma novidade que me estão a dar. A festa do futebol são os golos e portanto não há nenhum jogador que não goste de fazer golos, com maior ou menor assiduidade. Eu tive a felicidade de nas últimas 10 épocas marcar em todas elas. É bom para um defesa e em muitas delas eu tive registos nos 10 golos, nos 2 dígitos, é sentir que és mais participativo na ajuda dos objectivos colectivos. É sempre um registo interessante e bonito.

LP: O Ricardo é o jogador com mais jogos e minutos na Taça da Liga. Pensa que esta competição, devido ao formato que os grandes entram mais tarde, pode permitir um bom nível de competitividade para equipas mais pequenas do futebol português?
RP: Sim. Ultimamente tem havido equipas mais pequenas a chegar a fases adiantadas. Nós há 3 anos chegamos à Meia-Final. Não tinha a noção que era o jogador que tinha mais jogos e minutos, mais um registo que me deixa orgulhoso e contente. A Taça da Liga já teve tantos formatos, mas acaba por acabar quase sempre da mesma maneira, uma equipa grande a ganhar. Se calhar ainda não é o melhor formato. Nem sei se alguma vez terá um formato que permitirá a todos ter boas hipóteses de ganhar. Nem sei se fará grande sentido continuar a Taça da Liga. Poderia haver aqui muita matéria para debater, mas apesar das equipas do 2º escalão do futebol português se terem assumido mais nos últimos anos, de resto não houve mais casos semelhantes. Penso que deveria de haver um formato que não favorecesse tanto as equipas grandes. Penso que deveria haver um formato novo e permitissem a equipas mais pequenas sentir aquilo que é a festa duma final como acontece com a Taça de Portugal.

Treinadores de Ricardo Pessoa

Vítor Oliveira foi um dos treinadores que marcou a carreira de Ricardo Pessoa
Vítor Oliveira foi um dos treinadores que marcou a carreira de Ricardo Pessoa

LP: Foi orientado entre outros por Luís Campos, Jorge Jesus, Carlos Carvalhal, José Couceiro, Vítor Oliveira, Diamantino Miranda, Augusto Inácio. Como foi trabalhar com tantos treinadores com experiência e créditos no futebol português?
RP: Foi importante, com todos esses e outros sempre tive um bom relacionamento. O Diamantino e o Carlos Carvalhal foram as pessoas que mais me ajudaram no Vitória de Setúbal. O Jorge Jesus estará sempre marcado porque foi aquele que me fez subir à equipa principal, foi aquele que me ensinou muito. Ainda hoje sempre que o vejo, damos um forte abraço. O Diamantino teve também a importância de me levar para Portimão. Com o Carvalhal subi de divisão no Vitória de Setúbal. O Vítor Oliveira também fica muito marcado. Todos nós ouvimos falar muito do Vítor Oliveira. Muitas das vezes passam-se certas imagens de treinadores e quando lidamos com eles vemos que a imagem é completamente diferente. Foi o clube que nos ajudou a subir novamente. Não é por acaso que é o rei das subidas.

LP: Qual o segredo de Vítor Oliveira para conseguir 10 subidas de divisão na II Liga?
RP: Eu acho que o principal é a forte liderança que tem. Trabalha bem. Mantêm sempre os grupos focados e coesos do primeiro ao último minuto. É uma pessoa que não permite em momento algum os jogadores terem relaxamento. Depois sempre criou bons plantéis. Se não se formares um grupo de qualidade pode ser extramente difícil. Na II Liga pode haver 10 equipas a lutar pela subida nas últimas jornadas. Todos estes fatores o tornam especial nas subidas de divisão.

LP: Por aquilo que diz que aprendeu com Jorge Jesus à 16 anos atrás. Calculo que para si não tenha sido uma surpresa o sucesso que este treinador alcançou?
RP: Claro que não. Tantos jogadores que já passaram por Jorge Jesus e todos dizem a mesma coisa. É o melhor treinador a nível táctico que já apanhei e arrisco-me a dizer mesmo do futebol português. Por tudo aquilo que fez ao longo destes anos, pelas diversas divisões que passou no futebol português.

LP: Recordo que quando estava ainda no Belenenses já se falava que era dos melhores treinadores no treino do Mundo
RP: E continou a sê-lo no Braga, Benfica e Sporting. Onde alcançou muitos troféus. Eu penso que apesar da sua idade não pode ser considerado um treinador da velha guarda, porque ele está sempre a inovar.

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