O Barcelona em diferentes modalidades
Fonte: Público

FC Barcelona- Futebol, Futsal, Hóquei

No futebol o Barcelona vende a sua marca para todo o mundo, em 2017 faturou mais de 640 milhões de euros. O orçamento explica que desde 2004/2005 nunca um clube português obteve uma melhor prestação que o Barcelona na Liga dos Campeões.

No Futsal e no hóquei, o Barcelona tem apenas patrocínios oriundos de Espanha, o seu pavilhão Palau Blaugrana tem 7500 espetadores e o clube não vende direitos televisivos.

Estes indicadores fazem com que dispute de igual para igual a LC de futsal com Benfica e Sporting e a de hóquei em patins com Benfica, Sporting e FC Porto. Jogadores do Barcelona de futsal ou de hóquei que se transferem para Portugal já disseram em entrevistas “que deram um passo em frente na carreira”.

Isto revela que é a vertente económica que faz a diferença na prestação dos clubes e não o modelo organizacional.

NBA- Um exemplo não suficiente

Quando se fala na SuperLiga Europeia muitas vezes a opinião pública fala no draft da NBA em que as equipas mais fracas escolhem os melhores jogadores vindos das Ligas Universitárias. Este modelo pretende adquirir um maior equilíbrio entre as equipas mas na prática os resultados provam a sua ineficácia.

Analisando os estados americanos das equipas que venceram a NBA, constatamos que no momento presente apenas os estados com mais população podem almejar vencer a competição.

De 1947 a 1986, por 23 vezes o vencedor da NBA foi de um estado fora dos dez mais populosos da América.

Os Boston Celtics deram ao estado de Massachusetts (mesmo sendo o 14º mais populoso da América) 16 títulos sendo a melhor equipa da NBA deste período. New Jersey (11º), Washingotn DC (14º), Maryland (19º), Wiscousin (20º), Oregon (27º) e Oklahoma (28º) conseguiram ter clubes a vencer a NBA mesmo estando muito deles longe de estarem entre os dez mais populosos da América.

Desde 1987 disputaram-se 32 campeonatos e apenas por uma vez o vencedor foi de um estado fora dos dez mais populosos, Boston Celtic venceram em 2008. Aliás nos últimos 28 anos apenas por três vezes o vencedor da NBA não foi de um dos cinco estados mais populosos da América.

Por isso o draft da NBA não consegue reequilibrar a competição, tornando-a a par da Liga dos Campeões de Futebol uma competição previsível. Nunca na história da NBA tinha existido quatro épocas seguidas com os mesmos finalistas. Já na Liga dos Campeões desde 1976 que uma equipa não vencia por três vezes seguidas a competição.

Por estes dados se percebe a pouca diferença entre o Futebol e o Basquetebol. Ambos os desportos tem um enorme mediatismo e desde a década de 90 o dinheiro foi sinónimo de sucesso desportivo.

Jogadores da NBA em ação
Fonte: Sports Illustrated

Modelo alternativo para o futebol

Se a UEFA criasse uma Superliga com fases de grupos juntando os clubes da Liga dos Campeões e da Liga Europa, centralizando os direitos televisivos da prova, tornando-os mais igualitários possível e limitando a presença de estrangeiros nas equipas o futebol poderia recuperar o equilíbrio que já teve.

Uma Superliga Europeia com presença de mais de 20 países europeus com um sistema de subida e descida de divisão com base no mérito desportivo. As melhores equipas dos campeonatos nacionais poderiam subir de divisão e os piores da Superliga baixavam aos campeonatos nacionais.

Qualquer equipa que subisse ganharia um montante financeiro importante para melhorar o seu plantel e teria direito de opção sobre certos jogadores como acontece na NBA, como aqui já explicado.

abolindo os milhões dos direitos televisivos de ligas nacionais, dando a mesma competitividade a todas as equipas independentemente do país e limitando a contratação de estrangeiros é possível existir um futebol equilibrado.

É por este motivo que as competições de seleções estão cada vez mais equilibradas. Porque os países fora do top-4 cada vez se desenvolvem mais e os outros não lhes podem comprar os melhores jogadores. Por isso é que a Croácia e a Bélgica ficam no pódio do Mundial e a Alemanha não passa a FG (primeira vez na história) e a Itália não vai ao Mundial (já não ia desde 1958).

O problema é que o interesse desportivo é preterido em função do interesse financeiro e por isso o reequilíbrio das competições europeias de clubes é apenas para modalidades não mediáticas como o Andebol e impossível no momento presente no futebol.

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João Perfeito
Tenho 27 anos e sou verdadeiramente apaixonado pelo futebol desde os 9 anos. O célebre Portugal-Inglaterra do Euro 2000 permitiu-me apaixonar-me por este jogo que alia emoção, inteligência, espírito colectivo,arte, incerteza e superação. Desde aí nunca deixei de acompanhar com profundidade o futebol nacional e internacional. Licenciei-me em Ciências da comunicação, fui colaborador de conteúdos do Museu do Sport Lisboa e Benfica e colaborador estatístico da I Gala Quinas de Ouro da Federação Portuguesa de Futebol em 2015. E neste contexto a minha paixão pela escrita e pela estatística intersecta-se com o futebol. Aqui no Linha de Passe pretendo escrever sobre a actualidade e história deste desporto fantástico sempre recorrendo aos dados que considerar mais oportunos para poder transmitir ao máximo a minha visão sobre a beleza do futebol.