O futebol é um esporte que provoca muitas reações distintas em seus ouvintes, telespectadores e em torcedores em geral. Da euforia de um título à dor de um rebaixamento. Da alegria de uma vitória à tristeza de uma derrota. Mas para quem está em campo as sensações também mudam constantemente. Da angústia pela cobrança do torcedor após um resultado ruim ao arrepio por ter seu nome cantado pela torcida ou pela sua imagem tremulando em uma bandeira na arquibancada. Esse mesmo futebol, que nem sempre nos passa segurança com cenas lamentáveis refletidas na “guerra” entre torcidas organizadas que não merecem tal nome, é o mesmo futebol que nos emociona com momentos únicos que fazem com que torcedores se rendam à beleza do momento e se sintam representados até pela torcida “rival”.

Na noite da última segunda-feira, 26 de Junho de 2017, em jogo realizado no estádio Nilton Santos, na cidade do Rio de Janeiro, às 20h, entre Botafogo e Avaí, em jogo válido pela décima rodada do Brasileirão, o mundo presenciou mais um momento de amor no futebol. Uma homenagem da torcida de Botafogo para Giulia, filha do atacante Roger e que é cega de nascença. O que mais chamou a atenção não foi o fato de que ela não enxerga, mas sim o que ela sentiu e refletiu em campo com sua felicidade. A emoção de ouvir, sentir e se arrepiar com seu nome sendo cantado por uma torcida dentro de um estádio é, sem sombra de dúvidas, algo inesquecível.

Giulia entrou em campo com o pai antes da bola rolar e foi recebida aos gritos de “Olê, olê, olê, olá, Giulia! Giulia!”por 22.819 torcedores alvinegros presentes no jogo. Algo que a menina de apenas 11 anos jamais esquecerá. Um momento único na carreira de Roger. Após o jogo, o atacante destacou a emoção com a homenagem em ver a filha emocionada e feliz dentro de campo.

Momento da homenagem da torcida botafoguense à Giulia. Lindo! Emocionante! De arrepiar!

– Realmente foi especial, né? A Giulia nesta semana parou o país. A nossa intenção com essa matéria era só contar para ela como é a minha profissão para ela entender como são os gols. Foi algo extraordinário. Hoje eu me senti muito amado. Às vezes as pessoas esquecem que por trás do atacante Roger, sendo bom ou não, tendo a sua qualidade ou demérito, tem um pai, um marido. Às vezes existem coisas que marcam as nossas vidas. A atitude da nossa torcida marcou a minha família, marcou a minha vida. A atitude do povo brasileiro também nesta semana, eu quero agradecer a todos por todas as mensagens, todas as torcidas. Ela realmente se sentiu amada, se sentiu uma querida, muito especial. Eu estou muito grato a Deus por tudo que passamos nesta semana. Gostaria de ter coroado com vitória, com gols, essa festa linda do nosso torcedor. Mas isso é o futebol. Ele é bacana porque prega essas coisas. É importante que a gente saiba perder e reconhecer que o Avaí fez um grande jogo, mas no meu caso foi uma noite inesquecível. Nunca mais essa imagem, aquele canto, a minha filha chorando dentro do estádio. Isso marcou a minha história, com certeza. – disse Roger.

Giulia agradeceu à torcida alvinegra ainda sem acreditar no que havia acontecido:

– Foi muito emocionante. Pude sentir o carinho que a torcida tem por mim. Já sou botafoguense, de coração agora. Eu fiquei emocionada, deu vontade de chorar um pouquinho porque foi muito lindo. Eu falei “Pai, não acredito que está acontecendo isso”. Um beijo para toda torcida do Botafogo. Eu amo vocês! – disse Giulia.

Giulia ficou famosa em reportagem exibida em um programa esportivo da Rede Golo, na semana passada, e virou xodó dos botafoguenses.

Dentro de campo o Glorioso decepcionou e foi derrotado pelo Avaí, lanterna do campeonato, por 2 x 0 com gols de Joel, ex-Botafogo, ainda no primeiro tempo. Mas no final, o resultado da partida foi o que menos importou. Giulia foi a estrela da noite. A torcida deu um espetáculo na arquibancada. E o futebol foi o grande vencedor. Por mais momentos assim.

“Olê, olê, olê, olá, Giulia! Giulia!

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